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O DUENDE NO SALÃO DE MADAME GEOFFRIN

O DUENDE NO SALÃO DE MADAME GEOFFRIN

 1760 d. C.

                    Eu ansiava por mais uma daquelas reuniões. O salão de Madame Geoffrin estava cheio. Fiquei sentada, à espreita, perto de uma das vidraças. Vozes em discussões acaloradas se espalhavam por todo o recinto. Foi quando Diderot e D’Alembert apareceram, afoitos e falantes. Vinham do café Le Procope. Nas mãos, traziam alguns livros, talvez um exemplar da Enciclopédia. Eu queria ver se era mesmo ela, a obra tão famosa, mas não consegui.

Algo me distraiu.

                     Um sujeito pequeno e esquisito se esgueirou por debaixo das mesas. Uma estranha luz azul turquesa irradiava de seu corpo. De início, pensei que fosse um rato, mas mais parecia um anão, talvez um duende com nariz pontiagudo... Ia equilibrando nas mãos uma torta de chocolate. As pessoas olhavam sem nada entender. O pigmeu do outro mundo subiu na mesa, riu e jogou a torta na cara do Barão. Que susto! Todos riram, e eu gargalhei junto! O duende deu um tchauzinho pomposo e sumiu na luz que o envolvia em poucos instantes.

                     O coitado do nobre, todo lambuzado, levantou-se furioso e foi embora do salão de Madame Geoffrin. O mais engraçado é que, passado o imprevisto, ninguém se preocupou em saber de onde veio aquele pequeno intruso, nem o que seria sua estranha luz. Estavam todos muito preocupados com outros assuntos. Continuaram discutindo sobre as ciências e racionalizando os problemas sociais.

                    Achei tudo aquilo muito engraçado, mas, sinceramente, eu ainda acredito que tenha sido Deus visitando os iluministas.

TEMPO HISTÓRICO: IDADE MODERNA 

ESPAÇO GEOGRÁFICO: EUROPA - FRANÇA 

DATA DE PUBLICAÇÃO: 22/05/2022

AUTOR: FABIO GOMES 

REVISÃO:  CIAENTRELINHAS

ILUSTRAÇÃO: www.fantastorica.com / www.canva.com / @sketchify

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