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- A ERA NAPOLEÔNICA | FANTASTÓRICA - PAINEL FANTASIA HISTÓRICA
Contos de Fantasia Histórica ambientados na Idade Contemporânea 1 durante a Era Napoleônica VOLTAR A ERA NAPOLEÔNICA AVANÇAR A ALMA DO IMPERADOR
- HISTÓRIA DO BRASIL | FANTASTÓRICA - PAINEL FANTASIA HISTÓRICA
Contos de Fantasia Histórica que estão ambientados na História do Brasil. EM BREVE O PERÍODO PRÉ-CABRALINO O PERÍODO COLONIAL O PERÍODO IMPERIAL O PERÍODO REPUBLICANO EM BREVE
- AS INVASÕES GERMÂNICAS | FANTASTÓRICA - PAINEL FANTASIA HISTÓRICA
Contos de Fantasia Histórica ambientados na Idade Média e ralcionados ao período das Invasões Germânicas. VOLTAR AS INVASÕES GERMÂNICAS AVANÇAR AS PROFECIAS GERMÂNICAS
- A CHINA ANTIGA | FANTASTÓRICA - PAINEL FANTASIA HISTÓRICA
Contos de Fantasia Histórica ambientados na Idade Antiga, na região do Rio Amarelo, na China. VOLTAR A CHINA ANTIGA AVANÇAR A DINASTIA XIA: O SACRIFÍCIO DE RENK-XIO
- A UNIFICAÇÃO ITALIANA | FANTASTÓRICA - PAINEL FANTASIA HISTÓRICA
Contos de Fantasia Histórica ambientados na Idade Contemporânea 1 durante o processo de Unificação Italiana. VOLTAR A UNIFICAÇÃO ITALIANA AVANÇAR NICOLO CONTI PASTORINO (1849-1874) O FANTASMA DA UNIFICAÇÃO
- O IMPÉRIO ROMANO | FANTASTÓRICA - PAINEL FANTASIA HISTÓRICA
Contos de Fantasia Histórica ambientados na Idade Antiga, na época do Império Romano. LARARIUM SACRARIUM IMPERIUM ROMANUM LARARIUM SACRARIUM IMPERIUM ROMANUM VOLTAR O IMPÉRIO ROMANO AVANÇAR LARARIUM SACRARIUM IMPERIUM ROMANUM O SAQUE DE ROMA: PRODITIO ANGELI TENEBRARUM
- IDADE MÉDIA - EM OUTRAS PARTES DO MUNDO | Fantastórica Painel
Contos de Fantasia Histórica ambientados na época da Idade Média em outras partes do mundo. EM OUTRAS PARTES DO MUNDO AVANÇAR VOLTAR DEUSES EM TULA XICOCOTITLAN
- A ROMA ANTIGA | FANTASTÓRICA - PAINEL FANTASIA HISTÓRICA
Contos de Fantasia Histórica ambientados na Idade Antiga, na região da Roma Antiga. VOLTAR A ROMA ANTIGA AVANÇAR A REVOLTA DA PLEBE: O MEDALHÃO DE LIVIA
- A MESOPOTÂMIA | FANTASTÓRICA - PAINEL FANTASIA HISTÓRICA
Contos de Fantasia Histórica ambientados na Idade Antiga, na região da Mesopotâmia. VOLTAR A MESOPOTÂMIA AVANÇAR REGRESSÃO A BATALHA DE URUQUE
- A IDADE ANTIGA | FANTASTÓRICA - PAINEL FANTASIA HISTÓRICA
Contos de Fantasia Histórica ambientados no período da Idade Antiga ou Antiguidade. VOLTAR A IDADE ANTIGA AVANÇAR AS GRANDES CIVILIZAÇÕES A MESOPOTÂMIA O EGITO ANTIGO A CHINA ANTIGA A ÍNDIA ANTIGA A ÁFRICA ANTIGA O ORIENTE EXTREMO A GRÉCIA ANTIGA ROMA ANTIGA O IMPÉRIO ROMANO O CRISTIANISMO EM OUTRAS PARTES DO MUNDO
- A EXPANSÃO MUÇULMANA | FANTASTÓRICA - PAINEL FANTASIA HISTÓRICA
Contos de Fantasia Histórica ambientados na Idade Média e ralcionados ao período da Expansão Muçulmana. VOLTAR A EXPANSÃO MUÇULMANA AVANÇAR A MAGIA DOS BERBERES
- A REVOLUÇÃO RUSSA | FANTASTÓRICA - PAINEL FANTASIA HISTÓRICA
Contos de Fantasia Histórica ambientados na Idade Contemporânea 2 (Século XX) na época da Revolução Russa. VOLTAR A REVOLUÇÃO RUSSA AVANÇAR O DOMINGO SANGRENTO: UM CASO EXTRASSENSORIAL
- PAINEL FANTASTÓRICO | FANTASTÓRICA - PAINEL FANTASIA HISTÓRICA
Painel de imagens e Ilustrações relacionados aos contos e textos publicados no site fantastorica.com IMAGENS FANTASTÓRICAS TABELAS FANTASTÓRICAS
- RASTROS FANTASTÓRICOS - PARTE TRÊS | FANTASTÓRICA - PAINEL FANTASIA HISTÓRICA
Terceira parte da série de Contos Curtos sobre Fantasia Histórica. RASTROS FANTASTÓRICOS (PARTE 3) AVANÇAR VOLTAR 1. AS PROFECIAS GERMÂNICAS 2. IDULBUM: O DEUS DO METAL 3. DAS SERPENTES E DE LUTERO 4. A MAGIA DOS BERBERES 5. UM FENÔMENO EM TEBAS 6. O VAMPIRO BURGUÊS 7. A PENA ESPIRITUAL DE OLIVER CROMWELL 8. O PORTAL DA TRINCHEIRA 9. O DESALENTO ESPACIAL 10. LARARIUM SACRARIUM IMPERIUM ROMANUM
- AS GRANDES CIVILIZAÇÕES DA ANTIGUIDADE | FANTASTÓRICA - PAINEL FANTASIA HISTÓRICA
Contos de Fantasia Histórica ambientados na Idade Antiga, no período das Grandes Civilizações da Antiguidade. VOLTAR AS GRANDES CIVILIZAÇÕES AVANÇAR A VOZ DA ESCRITA SUMÉRIA
- A CRISE DO SÉCULO XIV | FANTASTÓRICA - PAINEL FANTASIA HISTÓRICA
Contos de Fantasia Histórica ambientados na Idade Média durante a crise do século XIV na Europa. A CRISE DO SÉCULO XIV AVANÇAR VOLTAR UMA ENTIDADE FELIZ O PRODÍGIO DE SAINT DENIS
- O ILUMINISMO | FANTASTÓRICA - PAINEL FANTASIA HISTÓRICA
Contos de Fantasia Histórica ambientados durante a Idade Moderna na época do movimento iluminsita na Europa VOLTAR O ILUMINISMO AVANÇAR O DUENDE NO SALÃO DE MADAME GEOFFRIN
- O DESALENTO ESPACIAL
O DESALENTO ESPACIAL AVANÇAR VOLTAR 1969 d.C. Um extraterrestre chorou quando Neil Armstrong pisou na lua em 1969. TEMPO HISTÓRICO: IDADE CONTEMPORÂNEA 2 ESPAÇO GEOGRÁFICO: EUA DATA DE PUBLICAÇÃO: 22/01/2024 AUTOR: FABIO GOMES REVISÃO: CIAENTRELINHAS ILUSTRAÇÃO: www.fantastorica.com / www.canva.com / Trandoshan
- TABELAS DOS CONTOS
VOLTAR AVANÇAR TABELAS DOS CONTOS PROJETO FANTASTÓRICA FASE 1 TABELA MUNDO EM AZUL OS TEMAS QUE POSSUEM UM OU MAIS CONTOS JÁ PUBLICADOS TABELA BRASIL EM AZUL OS TEMAS QUE POSSUEM UM OU MAIS CONTOS JÁ PUBLICADOS
- O PRODIGIO DE SAINT DENIS
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Preview your site to check that all your elements are displaying content from the right collection fields. Ready to publish? Simply click Publish in the top right of the Editor and your changes will appear live. Previous Next O PRODÍGIO DE SAINT DENIS AVANÇAR VOLTAR 1357-1358 d.C. Abaixo encontram-se fragmentos das anotações deixadas por Axel, um dos integrantes da caravana oriunda das regiões do Sacro Império Romano-Germânico. Elas provavelmente foram escritas por volta de 1357-1358, durante o reinado de Carlos IV e o papado de Inocêncio VI. Os documentos foram transcritos e traduzidos para a língua portuguesa pelo paleógrafo e medievalista Dr. Richard Francis Stunderbartding em 2015. A íntegra dos documentos se encontra no Arquivo Total e Central da Cidade de Lisboa, em Portugal (Setor de Documentos Microfilmados, Código de Referência 12SFGG5676, Caixa 56, Livro 124, Pasta 123-150). “Saímos de um lugar chamado de Hamborg. Um lugar muito diferente e muito bonito. Passamos por um lago. Nesse lago estava o nosso barco. Havia redes e pescadores nesse lago com outros barcos. Estamos no início do verão. Fomos em direção ao mar por um rio chamado de Elba. Eu nunca tinha visto um rio tão grande com águas tão agitadas. Deus Seja Louvado! Aqui as árvores também são grandes e os bosques por onde passamos são grandes também, e são bonitos e belos. O vento por aqui é fraco. O sol aparece cortado sempre no além. As águas são escuras. O céu está sempre amarelo da cor de ouro, de ouro como os querubins dos céus. Que Deus Cristo abençoe nossa caravana. Eu sinto falta de ti, minha querida Emma. Sinto falta de nossa pequena Alícia. Foi a peste que enfermou Alícia e que trouxe-me até aqui. Que nosso Deus perdoe-me! Que consigamos alcançar nosso objetivo! Estou em pecado. Que nosso Deus proteja-nos. Deus Cristo, abençoe-nos. Tenho fé que sirvo a Deus. Óh, Deus, proteja-me! Proteja minha Emma. Proteja Alícia. Tenho fé na Sua salvação. Mas tenho dúvidas também. Estou em pecado. Óh, Deus, temo! Óh, Deus, temo! Óh, Deus! Temo! Sei que estou em pecado nas minhas dúvidas. Mas é certo matar pessoas? É certo matar o beatíssimo?” “Chegamos pelo mar no reino da França! Estamos no fim do verão e nesse momento é que chegamos nesse reino. Aqui as fazendas são grandes. Os cavalos são grandes e usam um tipo de corda ou cinta no pescoço quando fazem a aragem das terras. Mas eu não entendo como isso pode ser bom na aragem das terras. Em alguns locais eles possuem moinhos grandes e bonitos. Mas não são moinhos de água, são moinhos de vento! De vento! Deus abençoe! A tempestade já dita os rumos dos céus por muitos dias. Chuvas, trovões e raios. Parece que é nosso Deus dando-nos ralha diante do que planejamos fazer. Óh, Deus! Nesse momento, ainda chove. Mas mesmo chovendo eu acho tudo tão belo e tão bonito, pois sei e tenho fé que Deus faz tudo certo! Não devemos contestar o que Deus faz. Isso é virtude! Óh, Deus, sou Teu servo! Sei que Tu me salvarás. Hoje eu vi um Anjo do Senhor voando pelo firmamento. Sinal de Deus! Tempo do juízo. E assim está no Apocalipse – E o terceiro Anjo derramou a sua taça nos rios e nas fontes das águas, e se tornaram em sangue. Óh, Deus, abençoe-me! Que nosso bom Deus, Cristo, Jesus salve a alma de Heimirich. Chorei o dia todo. Perdemos Heimirich para a peste. Ele era um fiel integrante de nossa bendita caravana. O padre Adalbert, ainda dentro do barco, veio novamente falar comigo. Num tom de voz sempre agressivo. Relembrou nosso segredo. Reviu os planos. Quis ver o pote de veneno que eu guardo comigo. Brigou e gritou. Tenho raiva! Acredito na bondade! Óh, meu bom Deus! Não é certo matar pessoas! Mas não tenho coragem de contrariar padre Adalbert. Óh, bom Deus! Padre Adalbert ensinou-me a ler e a escrever. Ajudou-me desde pequeno. Tenho consideração. Tenho raiva também. Mas eu não sei o que fazer. Se tu estivesses aqui comigo, minha querida Emma, decidiríamos juntos! Não é? Tenho medo que Ele se afaste de mim devido a minhas dúvidas e meus medos. Óh, Deus! Salve-me!” “Estamos num lugar chamado Calais. Eu nunca tinha visto um lugar com um mar tão agitado e bonito. Muralhas grandes e valas grandes defendem as cercanias de Calais. A obra de Deus é bela e boa. Óh, Deus misericordioso! Que Deus abençoe-nos. O líder de nossa caravana, o sempre digno e bom cardeal Ernesto, acredita que esse seja o melhor caminho, seguro e protegido. Todos rezamos aos pés da Cruz de Cristo. Aceitamos essa decisão como uma revelação divina. Deus é honra, é pai e é o espírito! Deus está sempre guiando-nos pelo caminho certo. Depois da oração, descemos do barco que trouxe-nos até aqui e fomos por uma estrada na direção de um lugar que possui florestas com árvores grandes, folhas e frutos grandes e raízes poderosas. Nesse lugar havia uma grande igreja com torres pontiagudas. Essa igreja era da Ordem dos Irmãos de Cristo que vivem aqui. Com eles pegamos vinte cavalos e cinco carruagens e também carroças. Óh, Deus! Cristo! Projetas Tu essa Ordem dos Irmãos, e que continuemos vivos na Sua bendita sabedoria e misericórdia. Estamos novamente fugindo da fome e das mazelas. A besta nos persegue! Encontramos novamente a guerra. De dentro das carruagens vimos pedras gigantes sendo jogadas por uma tal engrenagem que aqui eles chamam de trébuchet. Foi a arma mais poderosa que eu vi. Deus abençoe! Por vários sábados estamos fugindo. Desviamos nossa rota a todo momento e, às vezes, tenho dúvidas. Óh, Deus! Tenho dúvidas se estamos no caminho certo ou se estamos perdidos. Óh, Deus misericordioso, tenha piedade de minhas dúvidas. O digno e bom cardeal Ernesto determinou a separação de nossa caravana em duas para despistar os bandos de saqueadores e dos guerreiros, das bestas demoníacas que nos perseguem. Assim foi feito. O demônio nos persegue por todos os lados e em todos os lugares. Que Deus proteja-nos. Nossa caravana continuará sua viagem à Santa e Sagrada Cidade de Avignon, apesar de todas essas provações divinas e de já termos perdido três dos vinte integrantes de nossa sagrada caravana: o cardeal Enzo e o padre Leon morreram dois dias antes do último dia de sol. Óh, Deus! Salve-os!” “Deus! Tu és sempre bom! Estamos numa comuna chamada de Clermont. Essa comuna fica nos arredores da tal cidade que chamam de Paris. Devido ao frio, paramos por três sábados seguidos. Recebemos relatos que a outra parte de nossa caravana se perdeu pelas matas e foi atacada por ladrões e saqueadores. Dizem que foi a besta! Todos eles foram mortos! Óh, Deus! Tenha misericórdia! Eles estavam a três dias de onde estamos agora. Deus perdoe e proteja a alma dos nossos Irmãos em Cristo. Estamos em oração e em luto permanente. Ainda não temos condições de continuar. O bom e digno cardeal Ernesto, o mais sábio dentre nós, está enfermo, mas mesmo assim ele ainda insiste que continuemos. Diz cardeal Ernesto que temos tempo, pois a reunião dos cardeais com o Beatíssimo Papa, o dito Sagrado Consistório Extraordinário, está previsto para o próximo verão. Deus abençoe o Beatíssimo Papa. Rezo todos os dias para que as graças do bom Cristo Deus e da Santa Igreja, junto aos Anjos do céu, possam curar o bom e digno cardeal Ernesto e minha amada filha Alícia. Que ela ainda esteja viva quando eu retornar depois de cumprir com minhas obrigações e realizar esse plano maléfico que padre Adalbert insiste em fazer. Óh, Deus! Eu estou com alguma enfermidade. Isso já dura por dois sábados. Salve-me! Mas eu ainda continuo realizando todas a minhas tarefas. Com a morte de Heimirich, agora somos apenas eu e Oriel que lavamos as batinas, fazemos as comidas, limpamos os utensílios. Tudo para o nosso bom e eterno Cristo Deus. Oriel continua manco de uma perna. Sinto falta de ti, minha Emma! Rezamos todos os dias e todas as noites. Alegro-me a cada dia que passa por ter Deus ao meu lado. Existem muitas pessoas por aqui nesse lugar, nessa comuna chamada de Clermont onde estamos parados. Nunca vi tantas pessoas! Elas possuem trajes diferentes dos nossos. Comem poucas vezes ao dia. Eu não entendo! Deus abençoe-as. Eu vejo sempre muitas pessoas mortas e os muitos corpos que padecem e apodrecem! O que será dessas almas sem Ti? Óh, Deus! Mas devemos aceitar o que é bom e justo. Devemos rezar a Deus, nosso Cristo. Orar todos os dias e agradecer por tudo que passamos, pois Deus assim sabe e Ele quer que aconteça assim. Suas obras são sempre justas e misericordiosas. Rezamos para que as almas dos mortos nas pestes e nas guerras sejam protegidas por Deus e possam ressuscitar no dia do juízo.” “Sonhei com minha querida Germânia. Sonhei com as terras de tio Carl e tia Louise. Eles amaram-me como se fossem meus verdadeiros pais. Sonhei com as galinhas e com as ovelhas, as plantações de maçãs e cenouras. Sonhei com Emma e Alícia. Óh! Que maravilha de Deus! Que Cristo abençoe-nos.” “Padre Adalbert veio falar comigo e novamente falou daquele plano maldito. Disse que temos que fazer aquilo que fomos determinados para cumprir e realizar, a nossa missão que foi-nos confiada em nome do verdadeiro Deus e do maior dos homens, do nosso Imaculado Rei. Depois que o sol saiu do alto do firmamento, cardeal Ernesto, bondoso, sábio e digno, falou para as pessoas daqui desse lugar a pedido do padre Émile. Padre Émile é o líder da Ordem dos Irmãos de Cristo da Igreja da comuna de Clermont. Ele é um homem bom. A batina de padre Émile tem um cheiro de terra e cebolas. Deus abençoe-o. Padre Émile é bem alto e tem orelhas enormes e pontiagudas. Oriel deu risada disso e eu dei-lhe uma ralha! Deus perdoe Oriel. O bom e digno cardeal Ernesto é bem baixo, não tem cabelo na sua cabeça e teve dificuldades de subir no palanque, pois ainda está debilitado, com uma tosse que nunca para e com sua idade muito avançada! Que Deus abençoe o bom e digno cardeal Ernesto. Digo o mesmo para padre Émile. Escutamos ajoelhados e atentos o que cardeal Ernesto falou sobre o Saint Denis. Que nosso Deus proteja-nos.” “Óh, Deus misericordioso! Agradeço-lhe pela honra de ver o Seu verdadeiro poder. O Prodígio de Deus! Um sinal dos céus! Que o bom Deus abençoe. Que Ele seja louvado. Seu poder e Sua misericórdia. A presença do Seu maravilhoso. Seu eterno! E assim João escreveu: E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão.” “Hoje de manhã fomos de Clermont em direção a um lugar chamado de Beauvais para visitar a igreja da Ordem dos Irmãos de Cristo que existe nessa comuna. Na estrada que une as duas comunas fomos parados por um grupo de lavradores. Disseram esses lavradores que, devido aos preços e taxas sobre o uso das terras, eles haviam então iniciado uma briga contra os nobres dessa região. Alguns desses lavradores estavam montados em cavalos e outros estavam sem cavalos. Alguns estavam segurando tochas, foices e machados e outros não. Dois deles carregavam panos pendurados em madeiras com desenhos que eu nunca tinha visto e que pareciam uma flor-de-lis azul. Disseram eles, os lavradores, que as propriedades dos nobres estavam sendo destruídas e que eles já haviam avançado pelas comunas chamadas de Senlis, Amiens, Champagne e os arredores de Corbie, Montdidier, Coucy, Soissons, Noyon, Corbiois, Vermandois, Valois e Clermont. Os tais lavradores, homens e mulheres com corpos muito magros, mas não entristecidos, gritavam algo parecido com Montjoie et St. Denis! Eu acho que era esse o grito, mas eu não entendo o que esse grito significa. Padre Adalbert ouviu os camponeses e desdenhou. Continuou sério com seu corpo alto, magro e de pernas e braços longos. Padre Adalbert andava com passos rápidos e estava preocupado com o demoníaco plano. Aproveitou a parada e veio falar novamente comigo. Disse que se um de nós dois morrêssemos ali era para que o outro continuasse a missão sozinho. A missão de usar o veneno para matar o beatíssimo. Óh, Deus! Eu disse que talvez não devêssemos fazer essa missão. Padre Adalbert deu-me um tapa no rosto e disse-me que eu deveria pedir perdão ao Imaculado Rei. Chorei de raiva e ódio. Se tio Carl soubesse quem é o padre Adalbert de verdade, nunca que teria deixado eu vir nessa caravana. Mas meu tio possui tantas dívidas nas suas terras. Possui tantas taxas a serem pagas a padre Adalbert.Talvez esse seja o único erro de tio Carl. Perdoe-me! Perdoe-me! Óh, Deus! Perdoe-me pela minha blasfêmia, por ter contestado padre Adalbert. Por ter pecado! Óh, Deus! Glória e júbilo! Amém. Orei até o sol aparecer no ponto mais alto do céu.” “Durante a parte da tarde, soubemos ainda na estrada, por uma camponesa muito magra, que trazia o nome de Francine, que os nobres estavam planejando uma vingança. Disse essa tal Francine que os lavradores e camponeses foram surpreendidos por poderosos cavaleiros na cidade de nome Meaux. Os camponeses estavam tentando abater um tal Castelo de Marche que existe nessa cidade de Meaux.” “Deus abençoe! Cardeal Ernesto é bom, sábio e digno todo o tempo. Ele se compadeceu com a situação e ordenou que fossemos até uma cidade chamada de Mello. Nessa cidade de Mello deveríamos avisar os camponeses e evitar outras mortes. Resignados, fomos até o nosso destino. Depois de um longo tempo chegamos nas cercanias da cidade de Mello. As entradas para essa comuna estavam fechadas. Tivemos ajuda de alguns moradores e Irmãos da Ordem de Cristo que vivem lá. Subimos por uma encosta, um morro, por um caminho pela mata, mesmo com todas as dificuldades. Chegamos ao alto de um monte. No alto desse monte observamos toda a comuna e conseguimos ver tudo que aconteceu. Uma obra de Deus!” “O sol já estava perto do além. Do alto da colina de Mello, observamos um homem grande, montado num grande e robusto cavalo preto, com grandes e bonitas selas de madeira vermelha acolchoadas com forro azul e dourado de uma forma que eu nunca havia visto. Esse homem grande possuía uma armadura cinza que brilhava muito e uma grande lança que brilhava muito também. Numa das mãos ele segurava uma cabeça cortada. Deus Seja Louvado! Disseram que esse homem tinha o nome de Carlos II e que por aqui chamam-lhe de Rei de Navarra. Esse tal Rei de Navarra tinha cortado a cabeça de um homem. Disseram que esse homem era o líder dos camponeses e de toda essa revolta. Chamam esse homem de Cale. O tal Rei de Navarra trazia majestoso e orgulhoso a cabeça ensanguentada do lavrador Cale nas mãos. Vários outros camponeses estavam tendo suas cabeças cortadas a mando dos nobres e desse tal Rei. Rezamos ajoelhados aos céus diante de tal crueldade. Que Deus Cristo abençoe e tenha misericórdia das almas desses homens mortos. Ali no alto do monte todos nós começamos a orar e a rezar. Foi então que o Prodígio de Deus aconteceu. Toda honra e gloria a nosso Deus!” “Diante de todos os nossos irmãos um grande relâmpago de cores bem fortes, que juntava um verde forte e um amarelo forte, cobriu toda a comuna de Mello até o além. Relâmpagos, trovões, raios desceram do firmamento. Uma fumaça rodeada por fogo cobriu os corpos sem cabeça daqueles homens e depois a luz mudou para laranja e vermelho. Havia uma fumaça que queimava nossos olhos. Foi então que observamos que através da névoa os tais camponeses sem cabeça levantaram-se. Um a um, eles deixaram o chão e como um sopro divino, uma honra e glória de Deus, uma ressureição de Cristo, eles novamente começaram a caminhar. Caminhar com seus pés sobre a terra. Eles estavam ressuscitados! Ressuscitados! Igual a São Lázaro da Betânia! Que Deus abençoe! Aqueles homens ressuscitados e que estavam sem cabeça foram atrás de suas cabeças cortadas. Cada um daqueles homens pegou a sua cabeça e em fileira caminhou segurando a cabeça em seus braços. Igual a Saint Denis! Uma luz clara saía das suas cabeças. A luz era tão forte e tão bonita, um azul cristalino e celestial, que todos os nobres nessa hora colocaram seus fortes e robustos braços em seus redondos rostos, escondendo seus enormes olhos. Muitos caíram dos seus cavalos. Outros ajoelharam e pediram perdão aos Anjos dos céus. Outros recuaram. Outros desistiram e foram embora. Muitos outros fugiram. A luz divina caminhava fazendo com que os nobres restantes recuassem até as cercanias da cidade. Nesse momento, os falecidos, os ressuscitados, os descabeçados, formaram em volta de si um tipo de muro que ninguém conseguia ultrapassar. Eles mexiam as suas bocas e de dentro delas o verbo se fazia por vir. Era um tipo de som, uma voz, uma voz divina que revelava uma ladainha que se espalhou por todo o lugar. Era uma mistura de luz e cântico, como Espíritos de Deus que trazem vozes e fogo, um fogo divino e angelical que envolveu os camponeses, que foram andando para fora da comuna. Aqueles homens sem cabeça, então, como Anjos protetores, acompanharam os camponeses vivos, levando-os em segurança até a igreja do Saint Denis. Lá já não havia perigo e nenhum guerreiro nobre. Depois que todos os camponeses entraram dentro do campanário, os corpos daqueles homens sem cabeça se juntaram num tipo de roda iluminada, que era bonita e bela. Os vultos brancos e rosados saíam de seus corpos. Por fim, aqueles homens sem cabeça caíram no chão. Elevaram-se suas almas abençoadas ao firmamento. Deus Seja Louvado! A misericórdia de Deus! Um Prodígio de Cristo! Por todo esse momento, essa benção, espiritual e santificada, essa revelação de glória, de júbilo, nós ficamos em oração no monte. Ajoelhados e emocionados.” “Minha querida Emma. Ontem, Deus em toda a Sua bondade fez-nos ver o verdadeiro valor da vida e da morte. A misericórdia de Deus é bendita na Sua virtude, na Sua glória, na Sua justiça e maior do que tudo nesse mundo. As pessoas de bem sabem disso, e quem viu hoje o Prodígio de Deus tem certeza disso. Por aqui e por toda essa região, dos miseráveis e pedintes, dos hereges e dos fiéis, pobres e ricos, de toda essa gente, do campo e dos nobres, dos humildes e dos servos, fala-se no sinal Dele, no Seu maravilhoso que veio dos céus. Óh, bondoso Deus. Sua misericórdia divina! Assim, celebra-se por todo sempre O Prodígio de Saint Denis.” “Minha amada Emma! Hoje eu entendi tudo. Que nosso Deus Cristo perdoe-me e salve-me. Eu tenho outros planos. E assim Tiago escreveu: Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa do juízo.” “Minha querida Emma! Amanhã a caravana continuará para a Santa e Sagrada Cidade de Avignon para o Sagrado Consistório Extraordinário. Deus proteja a nossa caravana, que continuará mesmo com as mortes de alguns de seus importantes irmãos em Cristo. Eles avançarão. Eu não. Por tão longe que estejamos, nosso Cristo nunca abandona-nos, nem nos nossos profundos princípios e crenças. Mesmo que distantes de todas as razões que fazem sentido em nossas vidas. Amo-te, Emma. Amo-te, Alícia. Amanhã finalmente retornarei. Voltarei a vê-la, minha amada Emma! Levo comigo uma carta de recomendações ao nosso Imaculado Rei para que Ele socorra nossa filha Alícia. O sábio, bom e digno cardeal Ernesto foi quem escreveu essa carta, pois ele acredita que eu não tenha serventia na caravana depois que padre Adalbert foi encontrado morto, envenenado.” TEMPO HISTÓRICO: IDADE MÉDIA ESPAÇO GEOGRÁFICO: EUROPA - FRANÇA DATA DE PUBLICAÇÃO: 14/07/2024 AUTOR: FABIO GOMES REVISÃO HISTÓRICA: LUCAS MELO REVISÃO: CIAENTRELINHAS ILUSTRAÇÃO: www.canva.com / @diversifysketch / @pixabay
- BHADRIKA - A GAROTA DANÇARINA DE MOHENJO-DARO
Previous Next BHADRIKA AVANÇAR VOLTAR A GAROTA DANÇARINA DE MOHENJO-DARO (2600-2500 a.C.) As luzes explodem em flashes. Um símbolo subjugado por olhos aguçados, mas incógnitos. Paredes abrigam vagas percepções. O tempo, sereno, é desconstruído em potências decaídas de eletroquímica e carbono. — A garota dança? A projeção contempla o corpo e as feições da estátua. O avanço pelo todo se reflete na parte petrificada. Na perfeição dos contornos. Nas formas adjacentes. Nos seios repletos de força e latência. No mergulho pelos sulcos de um ventre pétreo. Nos lábios metalizados. No olhar que recorda um passado. De dentro do contorno germina o repuxo. Imersão. Uma manifestação que pulsa por dezenas de eras. Depois, a escuridão tomou conta do mundo. Surge, então, a vida. Do céu, entre as nuvens. Do chão, entre a areia e a poeira. No meio da aldeia, em frente ao mercado central, um vulto se agita. Diante da multidão de gente, um movimento poderoso. A garota dança, rodopia, alegre, irrefreável, impenetrável. Perto dali, uma mulher nua espera em sua casa. A garota emana. A mulher evoca. A garota, com sua aparência ditosa, arroja-se diante de um mundo em expansão. A mulher, consciente de seu amor, ressignifica os percursos de sua própria vida. A garota cria toda a harmonia. A mulher expande toda a esperança. A oscilação de seu fulgor transcende as construções de uma cidadela corretamente planejada. A garota move-se em superfícies plurais. Sua energia se espalha pelas afluências. Seu poder fortalece as múltiplas embarcações. Centenas de toras atracam nas enseadas e flutuam pela superfície das águas do Vale do Indo. Os trabalhadores carregam e descarregam os produtos trocados em outros impérios dos mundos mais distantes da Mesopotâmia e do Egito. No horizonte, flamam as centelhas dos barcos com carregamentos de jades, turquesas e lápis-lazúlis, de cerâmicas, pedras preciosas e tecidos que navegam do Golfo Pérsico ao delta do Xatalárabe. A garota vê um homem que retorna do trabalho. Ressentimentos subvertem a paixão e o afeto. A mulher nua espera com a mão no quadril. Suas pulseiras e seus colares vibram diante de espectadores que quase não a percebem. Do outro lado, a garota dança e roda seu corpo intocado no ritmo dos seus passos e de seus desejos secretos. As aldeias e vilas fulguram no encanto de seus movimentos. A cidade cresce ordenada por sua dança. Os domicílios, feitos de tijolos e argamassa terracota, resplandecem na absorção de sua beleza. A cidade se transforma numa imensidão! A garota concentra suas potências. As águas provêm dos encanamentos. Fluem pelos reservatórios artesanais e sistemas hidráulicos. O homem carrega sua bacia retirada dos poços públicos. Caminha na direção de sua pequena residência. Lá está sua mulher, sua amada. Ele potente. Ela nua. Os dois deitados no chão. Ele a ama: o tempo passa conjecturado nas ações das majestosas forças, no contato das divindades, na erupção das vontades, na pulsação selvagem das sombras e dos raios, dos corpos e do suor, da seiva que urge e que aclara por perspectiva o movimento de todo o mundo existente e inexistente. A garota observa toda a cena. Ela rodopia furiosa, enquanto luzes enigmáticas e penetrantes se arrojam por sua derme lisa e perfeita. Os olhos do coração pulsam numa vontade profunda e errática. Ela também ama aquele homem. Seus anseios atravessam as sensações, vertem-se diante das inexploradas cavernas, tocam as inofensivas flores rosadas das puras florestas ainda virgens, sufocam diante dos vulcões que jorram lavas incandescentes, numa mistura relutante de gozo, ódio e raiva. As guerras não cessam. Os habitantes trabalham. As cidades vivem, espremem, morrem. A garota dança e cria com seus poderes a inovadora matemática e a escrita que facilita o comércio. Ela esculpe, com seus brilhantes olhos, os selos em pedras: um ser de três cabeças encanta as crianças que correm alegres entre os edifícios, pelo imenso celeiro, diante dos banhos públicos, pelos esconderijos que passam por debaixo dos sistemas de drenagem que ordenam os dejetos e burlam desejos. Sua adversária, a mulher, era mais bela. O som acompanha as vozes. Os sacerdotes oram em seu grande salão. Percebem o mal se aproximando. A mulher caminha diante de um estreito precipício. No giro da cadência e do bailado, a garota lança seu encanto, que aprisiona o corpo de sua inimiga. A mulher, amada, cai na armadilha. No cárcere invencível. No escuro infinito. A razão dilacerada no firmamento de agonia. A alma enclaustrada na dimensão do impossível. Morte e destruição avançam. Há dor e aflição por entre as misteriosas rotas que existem no interior do coração dos vales, na superfície de respiração das montanhas. A garota dança. A cidade pulsa. Há reprodução elaborada em labirintos de lábios, cheiros e beijos. Festa e música por todos os lados. A garota dança e vive no encalço de sua liberdade. Na centelha propulsora de suas vergonhas. No sopro da desforra e no hábito solene de seus próprios medos. Os cabelos da mulher já não pendem mais sobre aqueles seus ombros magros. A garota flutua com seu corpo iluminado. Feliz, ela baila e espera. Aguarda pelo retorno do homem, amado e amante. Reverte seu encantamento em facões, escudos, torres e fortificações que protegem os limites do centro administrativo contra as inundações e as tribos longínquas. Os passos ardem no calor da terra batida. A garota dança. Ela rodopia, voando serena e perene. Há um mundo dentro dela. Uma história contada. Uma memória a ser preservada. Um mistério escondido e revestido de correntes de barro que permanece jurado por segredos indecifráveis. Emoções e gestos que os próprios oráculos desejariam ocultar. O homem volta do trabalho. Ele percebe o terrível fim de sua amada. O ódio o consome, e ele pega sua afiada faca. Procura entre becos rudes, vielas sinuosas, casas licenciosas. O homem encontra sua caça e sela seu destino. Ele corre com sua faca em direção à garota. Revelações! A garota move-se em espiral e reverte sua luz, seu poder, sobre ele. O homem cai no chão. Tempo e espaço digladiam-se nos limites de um vórtice que espalha um turbilhão de fluidos. O homem penetra numa outra dimensão. Sua alma agora também está presa. Sua consciência jaz escravizada pela magia e pelo encantamento dos inumeráveis prazeres da garota. Ela completou sua vingança perfeita. — A garota dança? Em algum momento, num lugar distante do conhecimento e da razão, a garota dançarina decidiu cobrir sua cidade e inundá-la com água e lama, com a alma do rio Indo. Resolveu não só dominar a vida, mas também renovar o sentido de tudo o que é atual e presente. Dona de todo o enredo, ela controlou o seu tempo e, a partir de então, todos os outros destinos. Ela apagou sua chama, descortinou sua centelha, remendou seu mundo e a história de seu povo. A garota dança alegre e feliz. Com aquele homem ela concebeu dezenas de filhos imortais, e seus filhos, dezenas de descendentes. Juntos, eles construíram domínios indestrutíveis. Ela cobriu de bronze e de cera o corpo daquela mulher. Banhou de cobre e metal o seu coração. Moldou-a em perspectiva escultural num infinito e numa permanência que desafiam o tempo. Por ironia, sarcasmo ou algum instinto de complacência, deu-lhe o nome de Bhadrika, que em hindu significa “mulher com felicidade”. — A garota dança? A garota continua seu baile atemporal. Ela permanece traduzindo sua força num primoroso movimento atraente e cíclico. A cada dia ela nos convida a contemplar sua arte para observar a sua eterna trama histórica. As luzes se afastam dos flashes. Os olhos se libertam dos símbolos. As paredes concretizam verdades. O tempo, que agora é ciência, brilha diante da liberdade do corpo outrora petrificado daquela mulher. TEMPO HISTÓRICO: IDADE ANTIGA ESPAÇO GEOGRÁFICO: ÁSIA - VALE DO INDO - ÍNDIA DATA DE PUBLICAÇÃO: 29/03/2024 AUTOR: FABIO GOMES REVISÃO: CIAENTRELINHAS ILUSTRAÇÃO: www.canva.com / @agung-studio / @pratiksha-ps-images
- IMAGENS FANTASTÓRICAS
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- LARARIUM SACRARIUM IMPERIUM ROMANUM
VOLTAR AVANÇAR LARARIUM SACRARIUM IMPERIUM ROMANUM 10 d.C. Ennius acordou assustado. Já passava da meia-noite. Um estranho barulho vinha da direção da sala. Eram os tempos do Imperador Augusto, e ele sabia disso. Sabia também de suas obrigações como o pai da família, como o pater familias. Ainda mais naquele mês de maio em que deveria realizar a lemúria, ou seja, a cerimônia doméstica de purificação para a proteção de sua casa contra os espíritos antepassados, errantes e malfazejos. Lamentou, pois já havia passado o horário de fazer o ritual. Ele dormira mais do que o previsto. Estava confuso. Parecia bêbado... — Maldita! Ennius olhou para o lado. Quintilia, sua mulher, estava dormindo profundamente. Não era preciso acordá-la. Ele deveria fazer aquilo sozinho. O barulho na sala aumentava lentamente. Ennius levantou-se e saiu do seu quarto, indo descalço em direção ao grandioso e pomposo peristilo, o recinto a céu aberto rodeado por colunas. Do meio do jardim viu o cômodo onde dormiam seus filhos. Estava tudo bem por lá. Depois, viu o cômodo onde comiam as refeições. Tudo tranquilo por lá também. Por fim, olhou para a sala de estar e, assombrado, viu uma movimentação perto do teto, um tipo de sombra que voava por todo o recinto. Era uma entidade, um mau espírito dos antepassados que conseguira entrar em sua casa e agora sobrevoava o teto da sala. Ennius olhou pela janelinha de uma das paredes da casa e viu o átrio. Lá estava o majestoso larário (lararium) da casa, todo feito de madeira em forma de edícula . O santuário da casa sustentava, além das oferendas diárias, três pequenas estatuetas de divindades, uma imagem da Deusa Vesta, alguns incensos, uma estatueta de Vênus em terracota, diversas flores de cores sortidas e o Fogo Sagrado, que, por todas as desgraças, estava apagado. — Maldita! Ennius estendeu as mãos para fora da janela e, em direção ao larário, pediu aos lares, penates e gênios, as divindades protetoras das casas, para protegê-lo e proteger sua família, pedindo ainda que eles espantassem o espírito que sobrevoava sua sala de estar. Prometeu não mais trair sua esposa com a galante e bonita prostituta Rosmerta, nem atrasar o pagamento de seus parcos ajudantes ou brigar tanto com seus escravos. — Maldita! Ennius tremia de medo e angústia. Sabia que deveria realizar o ritual de forma precisa e correta. Andou vagarosamente até a porta de entrada da sala. Lá no meio da sala estava o espírito maligno do outro mundo. Ennius fechou os olhos quase que por completo. Nervoso, esqueceu quantas vezes deveria estalar os dedos para afastar o espectro que pudesse se aproximar; estalou umas 10 vezes; lavou suas mãos de forma precipitada mais de oito vezes com água da fonte; disse um mantra 15 vezes seguidas, mas parece que tinha que dizer menos; jogou na direção da entidade duas das três favas negras que precisava jogar (a outra tinha desaparecido); sacudiu um objeto de bronze, mas precisava lavar a mão antes e não o fez. Andou, cambaleou, mas, antes que pudesse acabar seu ritual, a entidade atacou. Ennius foi jogado no chão. Morreu. Seu rosto estava carregado de medo e pavor. A entidade foi embora da casa dando um prolongado uivo. Quintilia abriu os olhos. Entendeu o que tinha acontecido. Apenas sorriu. Um sorriso que misturava angústia e alívio, paz e agitação. TEMPO HISTÓRICO: IDADE ANTIGA ESPAÇO GEOGRÁFICO: ROMA DATA DE PUBLICAÇÃO: 22/01/2024 AUTOR: FABIO GOMES REVISÃO: CIAENTRELINHAS ILUSTRAÇÃO: www.fantastorica.com / www.canva.com / OpenClipart-Vectors
- O PORTAL DA TRINCHEIRA
O PORTAL DA TRINCHEIRA AVANÇAR VOLTAR 1916 d.C. Uma lua gibosa vagava sozinha no céu. Não havia nuvens. No chão, profundos túneis repletos de curvas tristes e finitas, de sombras e penumbras, conversavam com as trevas e zombavam do medo. Homens fumavam, resmungavam e pareciam misturar seus corpos cansados ao furor dilacerador do aço das armas, dos arames e de dezenas de sacos de areia. As paredes das valas falavam uma estranha língua úmida, que tinha cheiro de sangue e morte. Um soldado inglês, George, enlameado e desolado, andava pelos becos cinzas das trincheiras enquanto levava nas mãos o seu Lee-Enfield, um rifle de estimação. Em uma curva o soldado viu uma forte luz se abrir em uma das paredes de terra à sua frente. Assustou-se. Era o portal da iluminação e esperança, triangular, de coloração vermelha e lilás. Ele preparou e apontou. Na imagem que se abriu, do outro lado do portal, estava Cléver, um soldado alemão com seu rifle, um Mauser M98G 7.92 mm, preparado e apontado. Na hora, assustados e admirados, os dois soldados riram um para o outro e abaixaram as armas. Um sorriso honesto e sincero. Ali, naquele instante, os dois perceberam, um no outro, um coração cheio de histórias, memórias, desgraças e frustrações. Viram o terror e a destruição. Foi como se o tempo parasse. E, de fato, parou, subordinado à figura etérea daquelas fardas que sorriam através de mentes ensanguentadas. Eles ficaram ali congelados até que um deles atirou e, então, o portal da iluminação e esperança se apagou. TEMPO HISTÓRICO: IDADE CONTEMPORÂNEA 1 ESPAÇO GEOGRÁFICO: EUROPA DATA DE PUBLICAÇÃO: 22/01/2024 AUTOR: FABIO GOMES REVISÃO: CIAENTRELINHAS ILUSTRAÇÃO: www.fantastorica.com / www.canva.com / OpenClipart-Vectors
- A PENA ESPIRITUAL DE OLIVER CROMWELL
A PENA ESPIRITUAL DE OLIVER CROMWELL AVANÇAR VOLTAR 1651 d.C. Um fato curioso aconteceu na Inglaterra em 9 de outubro de 1651. Algumas testemunhas afirmam que a pena de ganso com a qual Oliver Cromwell assinou o Ato de Navegação estava viva. Quando seus assistentes levaram o documento e o colocaram na frente do futuro Lorde Protetor para a assinatura, a pena, que se encontrava descansando sobre a mesa, simplesmente pulou de lá, saiu voando e molhou seu bico no tinteiro. Depois, flutuou, leve e esbelta, em direção às mãos de Cromwell. Lá, dançou, ricocheteou, ziguezagueou e, numa sanha incontrolável, fuzilou em direção à folha, assinando prontamente o documento que se intitulava Uma Lei para o Aumento da Navegação e Incentivo à Navegação desta Nação . Todos que estavam na sala, incluindo os representantes do Rump Parliament e o próprio Cromwell, olharam-se mutuamente, olhando também para a pena. Ninguém disse nada. Nenhum gesto. Nada. Apenas as formalidades, alguns aplausos e só. A pena, enfim, repousou estática na mesa, satisfeita. TEMPO HISTÓRICO: IDADE MODERNA ESPAÇO GEOGRÁFICO: INGLATERRA DATA DE PUBLICAÇÃO: 21/01/2024 AUTOR: FABIO GOMES REVISÃO: CIAENTRELINHAS ILUSTRAÇÃO: www.fantastorica.com / www.canva.com / GDJ
- IDULBUN - O DEUS DO METAL
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- O VAMPIRO BURGUÊS
VOLTAR O VAMPIRO BURGUÊS AVANÇAR 1850 d.C. Nos campos ingleses do século XIX havia um vampiro burguês que mordia seus empregados para transformá-los em operários eternos e imortais. TEMPO HISTÓRICO: IDADE CONTEMPORÂNEA 1 ESPAÇO GEOGRÁFICO: INGLATERRA DATA DE PUBLICAÇÃO: 21/01/2024 AUTOR: FABIO GOMES REVISÃO: CIAENTRELINHAS ILUSTRAÇÃO: www.fantastorica.com / www.canva.com / @wind-of-hope / @sparklestroke
- UM FENÔMENO EM TEBAS
UM FENÔMENO EM TEBAS AVANÇAR VOLTAR 1330 d.C. O sol estava no ponto mais alto do céu. Tebas, a capital do Império Novo do Egito, era um misto de sons constantes e vibrantes. Nos arrabaldes da cidade, uma bola, feita de parcos pedaços de tecidos, vegetais e couro enrolados em cordas, rodopiava virulenta no chão de terra, de um lado para o outro, chutada por pés descalços e sujos. Oubastet, a criança mais velha, reclamou com Ini-Herit, seu irmão mais novo. Afinal, o pequeno havia chutado a bola longe demais. Os dois, com seus corpos nus e magricelos, precipitaram-se em uma luta. Rolaram, socaram, gritaram por alguns minutos. Naquele chão enlameado, um dominou o outro. Pararam quando viram passar, ao longe, o grandioso cortejo do imperador Tutancâmon. Oubastet, mais forte, venceu e obrigou Ini-Herit a pegar a bola. O pequeno foi chorando e voltou injuriado. Um sopro estranho rondou seu corpo. Ini-Herit gritou e jogou a bola com as mãos para perto do irmão. A bola, em vez de rolar pelo chão, subiu e subiu, mais do que o necessário, rodopiando no ar sozinha e suspensa. Fazia ziguezagues e movimentos inesperados. Os dois meninos olharam assustados para aquilo, mas também riram do fato. Acharam que fosse algum recado dos Deuses. Pensaram em Amom (Deus protetor de Tebas); acharam que fosse Thoth (Deus da magia e da sabedoria); talvez fosse Anúbis (Deus da morte e do submundo); por fim, tiveram certeza de que era Seth (Deus do caos, do mal e da desordem). Isso porque nesse momento a bola, antes de pano e corda, virou um rebuçado de fogo quente, grandioso e horrendo. Não importava mais qual era o Deus, o certo é que os dois irmãos gritaram e saíram correndo do lugar, voltando ligeiros para casa. Esse estranho fenômeno nunca foi contado para seus pais ou qualquer outra pessoa. Eles guardaram esse segredo como algo fraternal, coisa de irmão, para todo o sempre nas suas vidas. TEMPO HISTÓRICO: IDADE ANTIGA ESPAÇO GEOGRÁFICO: EGITO DATA DE PUBLICAÇÃO: 21/01/2024 AUTOR: FABIO GOMES REVISÃO: CIAENTRELINHAS ILUSTRAÇÃO: www.fantastorica.com / www.canva.com / @fusionbooks / @sparklestroke
- NO POMAR DOS SHOGUNS | FANTASTÓRICA - PAINEL FANTASIA HISTÓRICA
VOLTAR NO POMAR DO SHOGUNS AVANÇAR 1853 d. C. A praia dormia deserta. No além, o céu rasgava-se em pequenas ranhuras pretas. Há mais de duzentos anos a Deusa do Sol (Amaterasu) brilhava seus raios ornamentados e puros naquela região sagrada, inclinando-se sobre palácios, lagos e árvores do Jardim de Ninomaru. Por ali viviam seres parecidos com fadas que cuidavam dos pomares alados e dos shoguns dourados. Houve um período de estabilidade, paz e arte. Mas, naquela manhã, apareceram pelos mares os terríveis dragões, soltando fumaça e fogo. Agora chove, e os dias, sempre cinzentos e entristecidos, não serão mais como antes. A Baía de Edo chora diante de estranhas esquadras negras. TEMPO HISTÓRICO: IDADE CONTEMPORÂNEA 2 ESPAÇO GEOGRÁFICO: JAPÃO - ÁSIA DATA DE PUBLICAÇÃO: 23/10/2022 AUTOR: FABIO GOMES REVISÃO: CIAENTRELINHAS ILUSTRAÇÃO: www.fantastorica.com / www.canva.com / OpenClipart-Vectors
- A MAGIA DOS BERBERES
A MAGIA DOS BERBERES AVANÇAR VOLTAR 700-800 d.C. Entre os séculos VIII e IX d.C., um berbere muçulmano andava feliz e cantante com seu camelo marrom por algum canto dos desertos do Egito. Ele levava consigo a paz, a liberdade, o comércio, o conhecimento e a fé. Mas, de repente, o céu se quebrou em 12 pedaços, uma centopeia quimérica fez o sol se partir em dois, o mundo virou de cabeça para baixo, um gênio (jinn) passou voando pelo vasto horizonte amarelo e um raio celeste azul-turquesa despencou. No mesmo instante, esse berbere e seu camelo apareceram vivos no deserto do Marrocos, a quilômetros de distância de onde estavam. O homem continuou feliz e cantando como se nada tivesse acontecido. Por traz dele, o Norte da África completamente islamizado. TEMPO HISTÓRICO: IDADE MÉDIA ESPAÇO GEOGRÁFICO: NORTE DA ÁFRICA DATA DE PUBLICAÇÃO: 21/01/2024 AUTOR: FABIO GOMES REVISÃO: CIAENTRELINHAS ILUSTRAÇÃO: www.fantastorica.com / www.canva.com / @sketchify / clker-Free-Vector-Images


